Narrativa baseada em um quadro
Minúsculo Cubículo
Enquanto olhava pela janela do seu quarto, ás onze horas de uma manhã de sol, Thais tentava descobrir onde errou, encontrar o lugar onde escorregou, entender porque tudo tinha dado no que deu ou se ao menos havia começado. Ela não entendia porque tudo deixou de ser o que era e passou a ser nada.
-É culpa sua! -gritava a voz que atravessava o quarto. Eu confiei em você Thais, como pôde?
-Você precisa me dizer o que houve.
Os olhos fecharam-se, a cabeça movimentou-se como numa decepção representada por um movimento de negação e a porta bateu.
A última conversa ecoava na mente de Thais e ela estava no mesmo cômodo, no mesmo cubículo onde tudo começou, onde tornaram-se coisa só e onde haviam acabado e seguiam tão opostas quanto Mercúrio de Plutão. Thais estava lá e lia nos desenhos das nuvens o destino do seu presente. Ela passou a tentar aceitar o que lhe diziam sobre o ocorrido, passou a acreditar que tudo aconteceu porque alguém deu mais do que recebeu e não havia preparação para passarem por isso.
O tempo passou e ainda que não quisesse, Thais seguiu. Ela viajou e suas mãos foram de outras mãos, somou experiência á sua vida, mas sempre acabava sentada no chão de um quarto qualquer (na busca incansável de algo que a fizesse feliz) enquanto analisava as marcas do seu corpo.
Amanheceu e Thais estava de volta ao seu minúsculo quarto e agora conhecia Ariel, via tudo igual e as coisas não estavam tão mal assim. Até que acabou, por puro azar ou destino. Despediram-se numa noite chuvosa e nunca mais se viram da mesma maneira.
A novidade que era Ariel para ela, passara e agora Thais era dor. Ela sentou-se em sua cama e tentou enxergar tudo que passou de bom na sua vida e o que ela ainda tinha. Lembrou que precisava levar o que trouxe da sua última viagem, para o salão e como estava desocupada pegou as chaves do carro e foi. Abriu o salão. Guardou as caixas. Pegou as chaves, entrou no carro e lembrou do celular. Voltou para pegar, seus olhos pegaram Alex. O ciclo reiniciava-se. Thais mergulhava em Alex, de forma que viveram tudo como se a porta fosse fechar ou a morte fosse interromper. A porta foi de entrada sempre, manteve-se aberta, mas Alex nunca saiu. Thais estava no mesmo cubículo, agora com Alex e os seus sentimentos não cabiam ali. Ela estava inteira como nunca havia sido. Planejaram uma viagem e foram, ambas eram de impulsos.
Agora Thais entendia que tudo o que havia acontecido era só uma preparação para o que hoje ela tinha. Entendeu que a porta havia fechado por falta de compreensão, que só ela estava disposta a conversar e que não dá pra manter uma pessoa na sua vida quando ela quer partir. Que deu-se assim porque o mundo é injusto e tem pressa e que seu celular havia sido esquecido, porque no esquecimento ela se encontrou.
Enquanto olhava pela janela do seu quarto ao lado de Alex, ás nove horas de uma manhã de chuva, Thais admirava o mundo e a chuva que caía diante do seu nariz,s e parabenizava por ter acertado, por está de pé, entendia e aceitava que tudo tinha acabado naquele dia porque algo muito melhor começaria. Ela entendeu que precisava tornar-se tudo para ela mesma. Tornou-se.
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