Resenha do livro "Budapeste", de Chico Buarque
Budapeste: romance/ Chico Buarque - São Paulo : Compainha das Letras, 2º edição, 2003, 174 páginas.
Francisco Buarque de Hollanda, mais conhecido por Chico Buarque (19 de junho de 1944, Rio de Janeiro, RJ) é um músico, dramaturgo e escritor brasileiro, conhecido por ser um dos maiores nomes a música popular brasileira (MPB). Na carreira literária, tem oito livros lançados: Fazenda Modelo (1974), Chapeuzinho Amarelo (1979), A Bordo do Rui Barbosa (1981), Estorvo (1991), Benjamim (1995), Budapeste (2003), Leite Derramado (2009), O Irmão Alemão (2014). Premiados com o Prêmio Jabuti, três destes: o de melhor romance em 1992 com Estorvo e o de Livro do Ano, tanto pelo livro Budapeste, lançado em 2004, como por Leite Derramado, em 2010.

"Budapeste", é um romance que conta a história louca passada entre José Costa, Vanda e Kriska, mesclando a confusão entre encontrar-se no mercado de trabalho e em um possível "mercado de sentimentos".
O homem que vivia sua monótona vida no Rio de Janeiro, junto com a jornalista Vanda que é sua esposa, e trabalhando na empresa que fundou com seu amigo Álvaro da Cunha, A Cunha & Costa Agência Cultural, passa por uma reviravolta (sobretudo amorosa) quando chega em Budapeste, capital da Hungria, graças a um pouso imprevisto quando voava de Istambul a Frankfurt e conhece Kriska.
Costa começa a apaixonar-se pelo idioma húngaro e os dialetos únicos que ele tem, ao mesmo tempo em que apaixona-se por Kriska que é, agora, sua professora de húngaro. A partir destas paixões, o personagem começa a ficar dividido entre a vida que mantinha no Rio de Janeiro e a nova oportunidade que abre-se a sua frente.
A relação de Costa com Vanda não mostra-se das melhores desde o começo da obra, todavia, com Kriska o personagem apresenta-se sempre feliz e descontraído em diversas situações. O que apresenta a príncipio uma vaga ideia de que Kriska o teria ajudado a se encontrar enquanto escritor e detentor de seus sentimentos, ainda que ela pareça perturbada, sobretudo com o que comea a sentir por Costa.
Entre idas e vindas ao Rio de Janeiro e à Budapeste, Costa passa por um episódio que faz com que ele lembre de todas as outras mulheres que passaram por sua vida e passa a perceber que a sua vida como brasileiro, frustrado com as armações do seu amigo Álvaro, e como marido de Vanda não é o que ele quer, todavia está longe dela e de seu filho Joaquinzinho traz à ele um sentimento de falta.
Em Budapeste, entre idas e vindas como aluno e "namorado" de Kriska, Costa passa a trabalhar no Clube das Belas-Letras -a princípio como uma espécie de "faz tudo" que logo depois foi promovido por acaso ao cargo de ghost-writer.
A possibilidade de escrever obras assinadas por homens de fama na cidade, faz José Costa ser necessário em Budapeste o que acaba em uma mudança - surpreendente ao leitor, por acontecer nas últimas páginas - na vida do personagem.
Parece uma história curta e simples, mas a forma como Chico Buarque a escreve (com diversos saltos na ordem temporal a cada capítulo, que provoca a princípio enorme confusão ao leitor mas rápido torna-se claro) transforma esta em uma história bastante longa, como de uma vida, e cheia de dúvidas que precisam de esclarecimentos seja por parte dos personagens, seja por parte do leitor.
Por último, Budapeste, é um romance que concluí-se tão marcado quanto quem o ler. Deixa diversas janelas em aberto na mente do leitor que daí busca respostas para diversas questões, sendo estas tanto as do personagem quanto as questões sobre decisões suas que surgem a partir da leitura.
Zsoze Kósta (como é chamado por Kriska, o personagem) instiga quem o ler nesta obra a buscar o verdadeiro sentido de diversas coisas que por vezes nos passam despercebidas, detalhe (entre outros) que me faz recomendar a leitura e pontuar esta obra como um abismo que ainda permite o leitor a chegar ao outro lado de algo. É uma obra que não concluí-se quando parece chegar ao seu fim, pois tem um suposto fim a cada capítulo, Budapeste concluí-se palavra por palavra, o que exige uma leitura altamente atenciosa.
Francisco Buarque de Hollanda, mais conhecido por Chico Buarque (19 de junho de 1944, Rio de Janeiro, RJ) é um músico, dramaturgo e escritor brasileiro, conhecido por ser um dos maiores nomes a música popular brasileira (MPB). Na carreira literária, tem oito livros lançados: Fazenda Modelo (1974), Chapeuzinho Amarelo (1979), A Bordo do Rui Barbosa (1981), Estorvo (1991), Benjamim (1995), Budapeste (2003), Leite Derramado (2009), O Irmão Alemão (2014). Premiados com o Prêmio Jabuti, três destes: o de melhor romance em 1992 com Estorvo e o de Livro do Ano, tanto pelo livro Budapeste, lançado em 2004, como por Leite Derramado, em 2010.

"Budapeste", é um romance que conta a história louca passada entre José Costa, Vanda e Kriska, mesclando a confusão entre encontrar-se no mercado de trabalho e em um possível "mercado de sentimentos".
O homem que vivia sua monótona vida no Rio de Janeiro, junto com a jornalista Vanda que é sua esposa, e trabalhando na empresa que fundou com seu amigo Álvaro da Cunha, A Cunha & Costa Agência Cultural, passa por uma reviravolta (sobretudo amorosa) quando chega em Budapeste, capital da Hungria, graças a um pouso imprevisto quando voava de Istambul a Frankfurt e conhece Kriska.
Costa começa a apaixonar-se pelo idioma húngaro e os dialetos únicos que ele tem, ao mesmo tempo em que apaixona-se por Kriska que é, agora, sua professora de húngaro. A partir destas paixões, o personagem começa a ficar dividido entre a vida que mantinha no Rio de Janeiro e a nova oportunidade que abre-se a sua frente.
A relação de Costa com Vanda não mostra-se das melhores desde o começo da obra, todavia, com Kriska o personagem apresenta-se sempre feliz e descontraído em diversas situações. O que apresenta a príncipio uma vaga ideia de que Kriska o teria ajudado a se encontrar enquanto escritor e detentor de seus sentimentos, ainda que ela pareça perturbada, sobretudo com o que comea a sentir por Costa.
Entre idas e vindas ao Rio de Janeiro e à Budapeste, Costa passa por um episódio que faz com que ele lembre de todas as outras mulheres que passaram por sua vida e passa a perceber que a sua vida como brasileiro, frustrado com as armações do seu amigo Álvaro, e como marido de Vanda não é o que ele quer, todavia está longe dela e de seu filho Joaquinzinho traz à ele um sentimento de falta.
Em Budapeste, entre idas e vindas como aluno e "namorado" de Kriska, Costa passa a trabalhar no Clube das Belas-Letras -a princípio como uma espécie de "faz tudo" que logo depois foi promovido por acaso ao cargo de ghost-writer.
A possibilidade de escrever obras assinadas por homens de fama na cidade, faz José Costa ser necessário em Budapeste o que acaba em uma mudança - surpreendente ao leitor, por acontecer nas últimas páginas - na vida do personagem.
Parece uma história curta e simples, mas a forma como Chico Buarque a escreve (com diversos saltos na ordem temporal a cada capítulo, que provoca a princípio enorme confusão ao leitor mas rápido torna-se claro) transforma esta em uma história bastante longa, como de uma vida, e cheia de dúvidas que precisam de esclarecimentos seja por parte dos personagens, seja por parte do leitor.
Por último, Budapeste, é um romance que concluí-se tão marcado quanto quem o ler. Deixa diversas janelas em aberto na mente do leitor que daí busca respostas para diversas questões, sendo estas tanto as do personagem quanto as questões sobre decisões suas que surgem a partir da leitura.
Zsoze Kósta (como é chamado por Kriska, o personagem) instiga quem o ler nesta obra a buscar o verdadeiro sentido de diversas coisas que por vezes nos passam despercebidas, detalhe (entre outros) que me faz recomendar a leitura e pontuar esta obra como um abismo que ainda permite o leitor a chegar ao outro lado de algo. É uma obra que não concluí-se quando parece chegar ao seu fim, pois tem um suposto fim a cada capítulo, Budapeste concluí-se palavra por palavra, o que exige uma leitura altamente atenciosa.
"... percebi que Kriska tornara a me querer bem. E provavelmente imaginara que eu lhe viraria as cotas, tão logo desvendasse o idioma húngaro por completo. Então cobri sua mão com a minha e lhe disse: serei para sempre teu discípulo humilde e grato."
-Budapeste, 2003.

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